Na Casa dos Meus 20

Ao pisar na grama da casa dos meus vinte entrei em contato pela primeira vez com o questionamento da sociedade. Não. Minto. Já havia tido o contato com isso. Mas descobri chegando perto da grade da casa, que ali eu não só poderia, como deveria questionar. Pois, a menos que eu quisesse que o universo me desse a resposta 42 para qualquer pergunta que fizesse, deveria começar a não só pensar, mas como questionar da forma certa.

Ao chegar na porta da casa encontrei no tapete, ao invés de um “seja bem-vindo” um “Olá crise de identidade”. Me senti intimidada, “Será que estou no lugar certo?”, pensei. porém quando abriram a porta, vi rostos muito parecidos com o meu.

E então os meus vinte abriu um sorriso largo e me convidou a entrar. “Estávamos esperando você”. Ali entendi pela primeira vez a diferença entre legalismo e graça. Entre Cristianismo e religiosidade. Entre amor e favor. Me assustei. A ansiedade se alterou e quis entrar em crise, me precipitei e concluir que ali eu não deveria estar. Mas então me ofereceram uma bebida calmante que se chamava “não julgar”.

Me ensinaram filosofia, sociologia e sobre as minorias. Me mostraram como eu me enquadrava ali e como eu deveria não apenas sair, mas ajudar a outros saírem de lá também.

Na casa dos vinte ainda tenho conflitos, às vezes ainda me culpo por eles, e tenho vontade de fugir dali. Contudo, tenho paz. Me ensinaram a ver calmaria no caos, a ver beleza na tempestade e força na fragilidade.

Me mostraram o lado bom, mas também o lado ruim. “Manter seus pés no chão é um ato de sobrevivência, mas voar, um ato de vivência. Escolha qual caminho seguir e vamos com você.”

Na casa dos meus 20 ando hoje aprendendo sobre compaixão, paciência, bondade e coragem. Sobre ser voz e ser corda para puxar os que ainda se encontram no chão. Sobre ser ajudada e ser ajuda. Sobre como não deixar a sociedade me definir, mas como definir a sociedade. Sobre lutar pelo que acredito, e lutar pela liberdade da escolha de crença do meu próximo. Sobre dar respeito e ser respeitada.

Na casa dos meus vinte ainda existe um grande espaço para mim. E se você quiser, capaz de existir espaço pra você também!

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